O Território dos Campos Gerais antes do Parque
O território hoje ocupado pelo Parque Nacional dos Campos Gerais tem uma história profundamente ligada à vida rural, ao tropeirismo e à agricultura. Muito antes do decreto de 2006 que criou o parque, essas terras eram ocupadas por famílias agricultoras e pecuaristas há várias gerações.
Desde o século XVIII, os tropeiros abriram caminhos nos Campos Gerais, ligando o Sul ao Sudeste do Brasil. A região se consolidou como área de fazendas de gado e de pouso das tropas, o que marcou o início da ocupação permanente. Povos indígenas que tradicionalmente habitavam a região, como grupos Tupi-Guarani e Jê, foram gradualmente expulsos ou assimilados. Ao longo do século XIX, a Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias e, mais tarde, o Império incentivou a formação de grandes fazendas de gado e pequenas propriedades agrícolas. A região também recebeu imigrantes europeus, que se estabeleceram em municípios como Castro, Carambeí e Ponta Grossa, contribuindo para a diversidade cultural e produtiva do território.
Já no século XX, os Campos Gerais se consolidaram como uma das áreas mais produtivas do Paraná, com forte vocação para a pecuária e a agricultura mecanizada. Famílias de agricultores familiares e médios produtores cultivavam soja, milho, feijão e trigo e criavam gado de corte e leiteiro, além de suínos e aves. Muitos proprietários mantinham áreas de campo nativo e matas com araucárias ao lado de áreas agrícolas, garantindo sombra para o gado, preservação de nascentes e conectividade com o ambiente natural.