Em 1914, por iniciativa de Paulo Campos Porto, foi criada a Reserva Florestal de Itatiaia com 11.943ha, delimitando uma área de proteção permanente no alto da serra, justamente nas terras que “não traíram prejuízo para a colônia” implantado pelo governo federal. Era uma visão inovadora para a época, reconhecer que o topo da serra deveria ser preservado por sua função ecológica e de pesquisa.
Mais tarde, essa reserva passou por um processo de recategorização, se tornando a Estação Florestal Itatiaia, com acesso restrito e foco na conservação da biodiversidade. Foi apenas em 1937, com o Decreto-Lei nº 1.713, que o governo criou o Parque Nacional de Itatiaia (PNI) — o primeiro do Brasil — sobre os limites iniciais dessa reserva, os mesmos 11.943ha, concentrando-se no alto da serra, sem atingir diretamente a comunidade que habitava a parte baixa da montanha.
Esse quadro começou a mudar drasticamente em 1982, quando o parque foi ampliado por meio do Decreto nº 87.586. A nova delimitação passou a incluir a área dessa comunidade, uma região já habitada, reflorestada e urbanizada, com hotéis, granjas, capelas, escolas, uso e ocupação do solo de acordo com o zoneamento da então prefeitura de Resende/RJ e uma vida social consolidada há mais de meio século.
Essa ampliação contrariou o próprio estudo técnico do orgão ambiental da época, que desqualificava a área para a categoria Parque Nacional, recomendando a criação de um Parque Natural, figura legal que, nos termos atuais do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), equivaleria a um Monumento Natural — categoria que permite a presença e permanência de comunidades.