Somos comunidades que sempre protegeram o nosso território. Estávamos aqui antes dos decretos, antes das linhas nos mapas, antes da chegada das placas de “proibido” onde antes havia apenas vida e cuidado.
O que hoje o Estado chama de áreas protegidas, nós já preservávamos com nossos modos de viver. Mantivemos florestas em pé, cuidamos de nascentes, reflorestamos áreas degradadas.
Protegemos espécies e mantivemos vivas culturas, saberes e as nossas histórias de gerações, fizemos isso sem financiamento público, sem planos de manejo, sem a presença constante de fiscais — mas com compromisso real com a terra e com a vida.
Ainda assim, quando a política ambiental oficial chegou, não foi para reconhecer esse trabalho, mas para apagar nossa presença.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que deveria promover a proteção da natureza com participação social, tornou-se uma ferramenta de exclusão.
Ao impor categorias de proteção integral sobre territórios ocupados e cuidados há gerações, sem diálogo verdadeiro, transformou guardiões em “invasores”, cortou direitos e impôs insegurança jurídica.